quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O Leão dorminhoco


Estamos neste fim de outubro de 2008 diante de uma crise sem precedentes no cenário mundial, bancos que a poucos meses atrás tinham nota máxima das agência de risco mais conceituadas do mundo quebraram praticamente do dia para a noite. Diante de tanta incompreensão a respeito da real extensão da crise e do lado emocial ao redor dela no mundo inteiro (prova disso é a indecisão dos números das bolsas de valores), não se está avaliando bem a situação desde que começou, nem para o lado otimista, nem para o pessimista.

Os economistas mais renomados em nossa sociedade vem avaliando que a crise afetará exportações, importações, crédito, câmbio, ritmo de crescimento, entre outros assuntos, mas nunca ouvi falar em desemprego ou recessão para o Brasil, nem de longe alguém prevê que isso vai acontecer por razões fáceis de compreender, afinal nossa relativa segurança bancária e modesta participação no bolo do comércio mundial nos dá grande vantagem em relação aos outros países.

Então, dentro disso que descrevi, vamos comparar o varejo brasileiro a um leão dorminhoco.

Enquanto o leão dorme, a imprensa mal preparada e a marrom cavocam entrevistas com populares e especialistas de todas as qualidades para emoldurar a crise e colocar uma grande lente sobre os seus efeitos, de forma a sustentar manchetes que terminam com a idéia de que as coisas estão piorando, que não se deve comprar. Isso sim pode levar a uma grande crise de fato, não porque tem frangos a espera de exportação morrendo de fome, mas porque a grande onda de otimisto e de confiança pode esfriar e então a crise poderá começar por baixo e não do alto ou lá de fora. O círculo da crise não teria um fim próximo, passaríamos mais algum tempo até que os números da economia, empregos, consumo e renda se revertessem.

Mas o leão continua dormindo, está satisfeito, comeu demais e está farto, não pensa que um caçador pode aparecer e com uma pequena bala de chumbo matá-lo sem nenhum esforço.

Melhor fosse se o varejo acordasse e percebesse que a sua força é mil vezes maior que crise de mentirinha, essa aí que vem se instalando por boatos e por inabilidade jornalística. Entrevistaram uma senhora na rua afirmando que ela era uma das consumidoras que estavam sendo afetadas pela crise de crédito, mas ela havia dito exatamente que -"não posso comprar porque dívida tem limite e aindo estou pagando um carnê". Seria muito bom se o leão acordasse e a onda de crescimento continuasse para o bem de todos, e isso parece perfeitamente provável.

2 comentários:

Sidia disse...

Concordo com tua opinião. Moro em Caxias do Sul RS.Temos aqui um forte pólo metal-mecânico que atende as montadoras de automóveis e que sofreram algumas restrições, mas já estão retomando as vendas. Mas nunca vi uma loja vazia, um mercado e UFA!!! as Padarias. Isso é bom, não quero ver as pessoas sem seu dinheiro, sem seus sonhos... sem sua dignidade.
Querem cultivar a crise, para quem tirar proveito? Os mesmos.

Valeu Arquiteto - farei contato no teu Site. Sidia

Ju disse...

Olá
entrei no seu site através da matéria publicada no Ricardo Botelho e gostei muito. Parabéns! Aproveitando para comentar a crise, já a um certa distância, agora a imprensa marrom não fala nada da tão criticada marolinha. rsrsrrsrsrsrsrrs Isso que é memória seletiva. Uma ótima semana.
Da sua mais nova leitora.
Juliana Dreher - Arquiteta e Urbanista